SONDAGEM ESPECIAL 105 INVESTIMENTOS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
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- há 6 dias
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Fonte: CNI, Confederação da Indústria
PREDOMINA A AQUISIÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS QUE EXIGEM O MANUSEIO HUMANO NA INDÚSTRIA BRASILEIRA
74% das empresas investiram em máquinas e equipamentos novos em 2025, três pontos percentuais a menos que em 2024.
72% das máquinas e equipamentos visavam a mecanização da produção em 2025, três pontos percentuais mais do que em 2024.
19% das máquinas e equipamentos visavam a robotização da produção em 2025, quatro pontos percentuais menos do que em 2024.
5% das máquinas e equipamentos visavam a automatização da produção em 2025, , um ponto percentual a mais do que em 2024.
47% das máquinas e equipamentos adquiridos em 2025 são de origem brasileira, enquanto 48% são de origem estrangeira.
61% das empresas que investiram em máquinas e equipamentos apontaram as incertezas econômicas como um dos obstáculos ao investimento nos dois anos da pesquisa.
A Sondagem Especial sobre Investimento em Máquinas e Equipamentos foi conduzida ouvindo 820 empresas em 2024 e 767 em 2025 de diferentes portes, respectivamente. Essa pesquisa é um bloco especial da Sondagem Especial Investimentos na Indústria, realizada anualmente pela CNI desde 2010.
Os resultados revelam um padrão de investimento em máquinas e equipamentos relativamente estável no último biênio, com a aquisição de máquinas e equipamentos novos liderando as decisões de investimentos das empresas, ao mesmo tempo em que desafios estruturais persistem como obstáculos à modernização tecnológica mais profunda.
A aquisição de máquinas e equipamentos novos foi o principal tipo de investimento realizado, citado por 77% das empresas que investiram, em 2024 e 74% em 2025, com participação especialmente elevada nas empresas de grande porte (84% e 78%, respectivamente).
No tocante à tecnologia analisando novos e usados, a mecanização, investimento em máquinas que exigem o manuseio humano, ainda é amplamente predominante (69% em 2024 e 72% em 2025), enquanto a automatização plena, investimento em máquinas conectadas em rede, alcança apenas 4% e 5%, respectivamente. Quanto à origem, verifica-se um equilíbrio entre equipamentos nacionais e estrangeiros: 47% ante 48% em 2024 e 48% ante 47% em 2025.
Quanto aos obstáculos ao investimento, as incertezas econômicas afetam 61% das empresas nos dois anos, seguidas dos entraves tributários (47%) e da pressão da mão de obra (41% e 43%). O custo dos insumos perdeu intensidade (53% para 42%), enquanto o acesso ao crédito piorou (26% para 29%).
PERFIL DOS INVESTIMENTOS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
Investimentos em máquinas e equipamentos novos lideram investimentos
A Sondagem Especial sobre Investimentos em Máquinas e Equipamentos, conduzida em dois ciclos – 2024 e 2025 – investigou os padrões de aquisição de máquinas e equipamentos novos e usados pela indústria brasileira no último biênio. Em 2024, 77% das empresas industriais que investiram em máquinas e equipamentos novos, percentual que recuou para 74% em 2025. A aquisição de máquinas e equipamentos usados, por sua vez, passou de 16% em 2024 para 18% em 2025.
Os percentuais são distintos segundo o porte da empresa. Entre as grandes empresas, o investimento em máquinas e equipamentos novos foi mais intenso: 84% delas investiram em 2024 e 78% em 2025. A redução de seis pontos percentuais entre os dois anos sugere alguma desaceleração no ritmo de renovação do parque produtivo das grandes indústrias, embora o patamar continue relativamente elevado.
As médias empresas também apresentaram alta adesão ao investimento em equipamentos novos: 75% em 2024 e 72% em 2025, com queda mais moderada. Já as pequenas empresas mantiveram o ritmo: 65% em 2024 e 66% em 2025.

No caso das máquinas e equipamentos usados, a distribuição por porte é mais homogênea. Entre as pequenas empresas, 18% investiram em máquinas e equipamentos usados em 2024 e 2025. As médias registraram 15% em 2024 e 17% em 2025, e as grandes, 15% em 2024 e 19% em 2025.

Investimentos em mecanização prevalecem, mas a automatização começa a avançar nas grandes empresas
A pesquisa classificou as máquinas e equipamentos novos e usados adquiridos em três níveis tecnológicos:
Mecanização: máquinas operadas com manuseio humano direto;
Robotização: máquinas que podem executar tarefas programadas sem intervenção contínua; e
Automatização: máquinas conectadas em rede, com capacidade de transmissão e processamento autônomo de dados.
O quadro geral aponta para uma indústria ainda fortemente ancorada na mecanização, com robotização relevante nas grandes empresas e automatização ainda incipiente em todos os portes.
Entre o conjunto das empresas que investiram em máquinas e equipamentos, independentemente se novos ou usados, o investimento na principal máquina ou equipamento adquirido visou principalmente a mecanização 69% em 2024 e 72% em 2025. A robotização ficou em 23% (2024) e 19% (2025). A automatização plena – máquinas conectadas em rede – atingiu apenas 4% em 2024 e 5% em 2025. O crescimento de um ponto percentual na automatização, embora pequeno em termos absolutos, pode indicar o início de uma tendência de adoção de tecnologias de Indústria 4.0.

As pequenas empresas são as que proporcionalmente mais investem em mecanização: 75% das pequenas empresas que investiram em 2024 priorizaram o investimento em mecanização, percentual que subiu para 84% em 2025. Esse avanço de nove pontos percentuais indica que, entre as pequenas, a renovação do parque de máquinas no período recente foi predominantemente de equipamentos convencionais, com manuseio humano. A robotização nas pequenas ficou em 19% (2024) e recuou para 13% (2025), e a automatização é praticamente residual (3% e 2%).
As médias empresas apresentam perfil intermediário e relativamente estável: priorizaram mecanização em 76% (2024) e 73% (2025), robotização em 18% e 20%, e automatização em 4% nos dois anos.

As grandes empresas são as que exibem o perfil tecnológico mais avançado. A mecanização, embora ainda majoritária (62% em 2024 e 65% em 2025), é proporcionalmente menor do que nos demais portes. A robotização atingiu 27% em 2024, recuando para 21% em 2025. E a automatização cresceu de 5% para 7% entre os dois anos, o maior nível registrado em qualquer segmento, reforçando que a adoção de tecnologias conectadas ainda é um caminho mais acessível apenas às empresas de maior porte e, mesmo por essas empresas, pouco priorizada.

As pequenas empresas compram predominantemente de fornecedores nacionais: 64% em 2024 e 60% em 2025. A queda de quatro pontos percentuais pode refletir maior penetração de importados no segmento ou mudanças na disponibilidade de máquinas nacionais adequadas às suas necessidades.
As médias empresas apresentaram trajetória em favor do nacional: de um virtual empateem 2024 (48% nacional, 47% estrangeira) para uma leve vantagem do nacional em 2025 (52% nacional, 44% estrangeira).
Já as grandes empresas mantêm preferência consistente pelo equipamento estrangeiro: 56% nos dois anos. O percentual de máquinas nacionais adquiridas por grandes empresas ficou em 39% em 2024 e 40% em 2025.

ENTRAVES AOS INVESTIMENTOS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
Para 92% das empresas a máquina ou equipamento adquirido era a mais adequada para os seus objetivos
A pesquisa investigou se a máquina ou equipamento adquirido foi a melhor opção disponível ou se houve algum tipo de restrição que impediu a escolha ideal. A maioria das empresas avaliou que a máquina adquirida foi a mais adequada para seus objetivos – 92% em 2024 e 93% em 2025. Isso indica que os obstáculos ao investimento atuam principalmente como freio à decisão de investir, e não como distorção na qualidade do investimento realizado. Esses percentuais pouco se alteram para os diferentes portes de empresa.
Quando o investimento não foi realizado pela máquina ou equipamento desejados, a falta de recursos financeiros é o fator restritivo mais citado, por 5% das empresas em 2024 e por 4% em 2025. A falta de mão de obra adequada foi apontada por 3% em ambos os anos.

Máquinas e equipamentos novos: incerteza econômica segue como principal obstáculo, enquanto custos dos insumos perdem força
A pesquisa identificou os principais fatores que atuaram como obstáculos ao investimento em máquinas e equipamentos entre as empresas que realizaram esse tipo de investimento. Os percentuais representam a parcela das empresas investidoras que apontaram cada fator como obstáculo – ou seja, mesmo tendo investido, essas empresas enfrentaram barreiras ao longo do processo.
Entre as empresas que adquiriram máquinas e equipamentos novos, as incertezas econômicas permaneceram, com ampla margem, como o principal obstáculo ao investimento nos dois anos. O fator foi citado por 61% das empresas tanto em 2024 quanto em 2025, indicando que a imprevisibilidade do ambiente macroeconômico continua sendo a mais frequente restrição às decisões de investimento da indústria brasileira.
A assinalação de aumento dos custos dos insumos que, em 2024, havia alcançado 53% das empresas que investiram em máquinas e equipamentos novos, recuou para 42% em 2025 (-11 p.p.), a maior redução entre todos os obstáculos analisados.
Já os entraves tributários – que incluem carga tributária, burocracia e complexidade do sistema fiscal – passaram de 45% para 47% (+2 p.p.), permanecendo entre as principais restrições ao investimento e reforçando a importância de avanços no ambiente tributário para estimular a formação de capital.
Também ganharam relevância as incertezas específicas dos setores de atuação das empresas, que passaram de 39% para 45% (+6 p.p.), registrando um dos maiores avanços observados na pesquisa.
Já os entraves relacionados à mão de obra mantiveram assinalação elevada, passando de 41% para 43% (+2 p.p.), indicando dificuldades persistentes para encontrar trabalhadores qualificados para a operação e manutenção de máquinas e equipamentos.
Os entraves ligados ao ambiente de negócios também mostraram deterioração. A proporção de empresas que apontaram a queda das receitas como obstáculo aumentou de 41% para 47% (+6 p.p.), enquanto a expectativa de demanda insuficiente passou de 36% para 42% (+6 p.p.).
No ambiente institucional, a assinalação de instabilidade ou insegurança jurídica avançou de 31% para 36% (+5 p.p.), enquanto os entraves de acesso ao crédito e ao mercado de capitais aumentaram de 25% para 29% (+4 p.p.), refletindo as dificuldades de financiamento em um contexto de juros elevados.
Por outro lado, alguns obstáculos perderam importância entre 2024 e 2025. Os entraves burocráticos e regulatórios recuaram de 30% para 26% (-4 p.p.), os entraves logísticos e de infraestrutura diminuíram de 24% para 18% (-6 p.p.), as dificuldades relacionadas à aquisição e instalação de máquinas passaram de 21% para 19% (-2 p.p.) e os entraves ligados à importação e exportação recuaram de 18% para 14% (-4 p.p.). Esses resultados sugerem alguma melhora das condições operacionais enfrentadas pelas empresas.


Máquinas e equipamentos usados: piora das expectativas e do acesso ao crédito intensifica os obstáculos ao investimento
Entre as empresas que adquiriram máquinas e equipamentos usados, o quadro mostrou piora mais intensa de diversos fatores que dificultam o investimento. As incertezas econômicas permaneceram como o principal fator, citadas por 65% das empresas em 2024 e por 66% em 2025.
Logo atrás das incertezas econômicas, aparecem os entraves tributários e as incertezas setoriais, ambos citados por 53% das empresas, evidenciando que a carga tributária, a burocracia e a complexidade do sistema tributário continuam representando limitações relevantes para a realização de investimentos. O aumento dos custos dos insumos também permaneceu entre os principais obstáculos, praticamente sem alteração, passando de 53% para 52%.
O principal movimento observado entre 2024 e 2025 foi o forte aumento das incertezas setoriais, que saltaram de 38% para 53% (+15 p.p.), igualando o percentual dos entraves tributários e tornando-se um dos fatores mais relevantes para as empresas que investiram em equipamentos usados. Os entraves relacionados à mão de obra também cresceram, de 45% para 50% (+5 p.p.), reforçando as dificuldades crescentes para contratação de trabalhadores qualificados.
As condições operacionais também se deterioraram. A parcela de empresas que apontou a queda das receitas como obstáculo aumentou de 43% para 55% (+12 p.p.), enquanto a expectativa de demanda insuficiente passou de 41% para 50% (+9 p.p.), indicando enfraquecimento das perspectivas de mercado e menor capacidade de geração de recursos próprios para financiar investimentos.
No ambiente institucional, embora a instabilidade ou insegurança jurídica tenha permanecido estável em 31%, os entraves de acesso ao crédito e ao mercado de capitais registraram um dos maiores aumentos de toda a pesquisa, passando de 24% para 39% (+15 p.p.). O resultado sugere que as condições de financiamento se tornaram significativamente mais restritivas para as empresas que recorreram ao mercado de equipamentos usados.
Alguns obstáculos perderam importância ao longo do período. Os entraves burocráticos e regulatórios recuaram de 30% para 26% (-4 p.p.), enquanto as dificuldades relacionadas à aquisição e instalação de máquinas diminuíram de 24% para 20% (-4 p.p.). Em sentido oposto, os entraves ligados à importação e exportação aumentaram de 11% para 17% (+6 p.p.), refletindo maior dificuldade nas operações internacionais. Já os entraves logísticos e de infraestrutura permaneceram estáveis em 20% nos dois anos.






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