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Por que o Distrito Federal precisa desenvolver a indústria?

  • sindivestedesign
  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

Mantido o cenário atual, a expectativa é que, em 2050, o DF tenha 608 mil desempregados




Localizado no litoral de Pernambuco, o município de Goiana viu a economia se transformar nos últimos anos. A instalação de um polo industrial automotivo na cidade, em 2015, contribuiu diretamente para o desenvolvimento regional.


De 2013 a 2023, a cidade saltou da 7ª para a 2ª colocação no ranking estadual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mede o Produto Interno Bruto (PIB) per capita. O indicador, que era de R$ 19.547,02 passou para R$ 171.409,82. A indústria do município, que era a 14ª no estado em 2011, subiu para a terceira posição em 2021.


Estudos do Banco Mundial demonstram que a industrialização está diretamente ligada à redução da desigualdade, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa, sobretudo se acompanhada de políticas públicas eficazes.


A indústria tem potencial para gerar grande número de empregos bem remunerados e de alta qualidade.


No Distrito Federal, o Observatório Nacional da Indústria aponta um exemplo: na região administrativa da Fercal, que tem parque industrial consolidado, com alto nível de automação, o salário médio é de R$ 7,3 mil. Em contraponto, na região do Itapoã, com atividades de baixa tecnologia e menor industrialização, o salário médio é de R$ 1,8 mil.


A participação da Administração Pública na economia do Distrito Federal está estabilizada em 42,1%. Mantido esse cenário, a expectativa é que, em 2050, o DF tenha 608 mil desempregados, frente aos 291 mil de 2020.


A projeção é da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra). Assim, o número de desempregados dobraria, enquanto, segundo estimativa do IBGE, a população crescerá 23% nesse período, chegando a 3,7 milhões de pessoas.


A diversificação da matriz econômica do DF é urgente para melhorar a distribuição de renda e reduzir a dependência da Administração Pública. Passa por criar um ambiente propício a atrair investimentos, fortalecer os setores econômicos e estimular a competitividade em uma cultura empreendedora. Passa pela indústria.


Cada real produzido pela indústria brasileira traz retorno de R$ 2,44 à economia. Mais do que isso, a indústria impulsiona ganhos de eficiência em outros setores.


Ao expandir-se, cria uma cadeia de conhecimento, de soluções, de riquezas e de empregos. Regiões industrializadas são mais inovadoras, mais tecnológicas e, consequentemente, mais sustentáveis.


De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), cada emprego no setor gera, em média, outros 2,5 empregos na economia como um todo, devido ao efeito multiplicador.

“Não existe país desenvolvido sem uma indústria desenvolvida. A industrialização é um vetor de crescimento que se desdobra para além da economia e beneficia toda a sociedade”, afirma o presidente da Fibra, Jamal Jorge Bittar.


“É preciso olhar para a nossa capital como geradora de riqueza e não somente como absorvedora de recursos, e a indústria é ponta de lança desse desenvolvimento. Brasília está no centro do país e tem capital humano qualificado e potencial para indústrias de base tecnológica”.

Atualmente, a indústria agrega R$ 13,5 bilhões ao PIB do Distrito Federal, segundo dados de 2023 do IBGE, e emprega cerca de 130 mil trabalhadores, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (Relação Anual de Informações Sociais – Rais 2024).


Em arrecadação tributária, o valor em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) gerado pelo setor em 2025 foi de R$ 1,4 bilhão, de acordo com informações da Secretaria de Economia do DF.


Educação e inovação

O investimento em uma indústria forte e sustentável também passa pela educação e pela geração de conhecimento.


No Serviço Social da Indústria do Distrito Federal (Sesi-DF), o trabalho com crianças e adolescentes na Educação Básica está fundamentado na aplicação de metodologias ativas para o desenvolvimento de competências e habilidades como o protagonismo, o pensamento científico, a criticidade e a criatividade.


Victor Hugo Pessoa/Sistema Fibra
Victor Hugo Pessoa/Sistema Fibra

Entre os componentes curriculares está a educação tecnológica, que busca desenvolver a familiaridade com programação, robótica e pensamento computacional, encorajando a análise crítica para a resolução de problemas reais com soluções inovadoras.


No Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Distrito Federal (Senai-DF), o foco está em promover a educação profissional e tecnológica, a inovação e a transferência de tecnologias industriais, em apoio à modernização das empresas e ao aumento da competitividade da indústria.


Em 2025, a instituição somou 21,7 mil matrículas em gratuidade regimental, o que contribui para a formação de trabalhadores com as competências exigidas por uma indústria que vivencia um cenário de rápidas transformações produtivas.


“A quinta revolução industrial já é realidade. O cenário de transformações é constante e precisamos acompanhá-lo, seja na Educação Básica, seja na formação profissional”, destaca o diretor regional do Senai-DF e superintendente regional do Sesi-DF, Marco Secco.


“Como instituições de ensino, o Sesi e o Senai estão atentos ao que o mercado exige, formando profissionais qualificados e utilizando toda a sua expertise para promover desenvolvimento tecnológico e inovação para a indústria”, frisa.

 
 
 

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