Desempenho e confiança das indústrias de pequeno porte registram menor nível desde 2020
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Os Índices de Desempenho e de Confiança das indústrias de pequeno porte registraram seus menores níveis desde 2020, quando a economia sofria os efeitos da pandemia. O Índice de Desempenho marcou 43,7 pontos no primeiro trimestre de 2026, em um movimento de descendência desde o terceiro trimestre de 2025. Já o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) das pequenas empresas também demonstrou trajetória de queda ao longo de 2026, atingindo 44,6 pontos em abril, quando se completaram 17 meses de falta de confiança do empresário de pequeno porte.
Quanto à situação financeira das indústrias de pequeno porte, também há um cenário de deterioração, tendo em vista que o indicador alcançou 39 pontos no primeiro trimestre de 2026, o pior desempenho desde o primeiro trimestre de 2021.
Por sua vez, o Índice de Perspectivas registrou 47,4 pontos em abril de 2026, mantendo o nível observado em janeiro, em um movimento de oscilação em torno da média histórica. O resultado demonstra moderação nas expectativas das indústrias de pequeno porte.

O principal problema apontado pelas pequenas empresas no primeiro trimestre de 2026 continuou sendo a elevada carga tributária, tanto para a indústria de transformação quanto para a indústria da construção. Porém, a principal mudança em relação ao trimestre imediatamente anterior foi a percepção acerca da falta ou alto custo da matéria-prima, que aumentou 14 pontos em ambos os segmentos, passando a ocupar a segunda posição no ranking da transformação e a quinta no ranking da construção.
DESEMPENHO DAS PEQUENAS INDÚSTRIAS NO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026
Indústrias de pequeno porte registram menor nível de desempenho desde o primeiro trimestre de 2020
No primeiro trimestre de 2026, o Índice de Desempenho das indústrias de pequeno porte registrou média de 43,7 pontos, queda de 1 ponto em relação ao mesmo trimestre de 2025 e de 1,8 ponto em relação ao trimestre imediatamente anterior. O indicador segue em movimento de descendência desde o terceiro trimestre de 2025 e atingiu, no primeiro trimestre de 2026, o menor valor desde o segundo trimestre de 2020, quando atingiu 34,1 pontos, ainda em meio à pandemia.
O indicador é calculado considerando uma ponderação entre o índice de evolução do volume de produção (ou do nível de atividade, no caso da indústria da construção), utilização da capacidade instalada efetiva em relação ao usual (ou utilização da capacidade operacional efetiva em relação ao usual, no caso da indústria da construção) e o índice de evolução do número de empregados. Quanto maior o índice, melhor o desempenho no período.

SITUAÇÃO FINANCEIRA DA PEQUENA INDÚSTRIA NO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026
Reversão do quadro financeiro das indústrias de pequeno porte em 2026
No primeiro trimestre de 2026, o indicador da Situação Financeira das indústrias de pequeno porte caiu para 39 pontos, uma queda de 2,5 pontos em comparação ao trimestre anterior. Essa queda observada no primeiro trimestre de 2026 reverteu o avanço observado nos dois trimestres anteriores e levou o índice ao pior Reversão do quadro financeiro das indústrias de pequeno porte em 2026 desempenho desde o primeiro trimestre de 2021, quando o indicador marcou 37,8 pontos.
O índice é calculado combinando os índices de satisfação com a margem de lucro operacional e de satisfação com a situação financeira, além do índice de facilidade de acesso ao crédito. Quanto maior o índice, melhor a situação financeira das pequenas empresas.

PRINCIPAIS PROBLEMAS DA PEQUENA INDÚSTRIA NO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026
Falta ou alto custo da matéria-prima ganha importância no ranking de principais problemas

No primeiro trimestre de 2026, o principal problema enfrentado pelas indústrias de pequeno porte, tanto de transformação quanto da construção, continuou sendo a elevada carga tributária. Porém, o problema perdeu importância em relação ao trimestre imediatamente anterior; a assinalação recuou 3,1 pontos percentuais na indústria de transformação, para 39,6%, e 2,5 pontos percentuais na indústria da construção, para 42,2%.
Por outro lado, a preocupação com a falta ou alto custo da matéria-prima ganhou relevância para ambos os segmentos, especialmente na transformação, onde o problema avançou 14,1 pontos no período, passando da sexta para a segunda posição no ranking de principais problemas, com 34,1% de assinalações. Na indústria da construção, a assinalação do problema também aumentou 14 pontos percentuais no período, passando da décima terceira para a quinta posição, com 18,1% das respostas.
O problema de taxas de juros elevadas também ganhou destaque entre as indústrias de pequeno porte da construção, subindo da terceira para a segunda posição no ranking entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 (apontado por 37,1% das empresas). Na indústria de transformação, por sua vez, os juros elevados ocuparam a quarta posição, mencionados por 26,3% das empresas.
Também se destacaram os problemas relacionados à mão de obra. Na indústria de transformação, as empresas de pequeno porte apontaram o problema da falta ou o alto custo de trabalhador qualificado como terceiro item no ranking (assinalado por 26,5% dos empresários). Já na indústria da construção, a terceira posição foi ocupada pela falta ou o alto custo de mão de obra não qualificada (assinalada por 31% dos empresários). Logo em seguida, na quarta posição, aparece a falta ou alto custo de trabalhador qualificado, apontada por 19,8% dos empresários de pequeno porte do setor.
Para o levantamento dos principais problemas, é apresentada uma lista aos empresários das indústrias de pequeno porte, a partir da qual eles podem indicar até três itens que representaram os maiores problemas enfrentados pela empresa no trimestre de referência. Por esse motivo, a soma dos percentuais pode ultrapassar 100%.
CONFIANÇA E PERSPECTIVAS DA PEQUENA INDÚSTRIA EM ABRIL DE 2026
Indústrias de pequeno porte registram menor nível de confiança desde junho de 2020
O ICEI das indústrias de pequeno porte vem apresentando trajetória de queda ao longo de 2026, atingindo 44,6 pontos em abril. É o menor índice desde junho de 2020, quando registrou 42 pontos em meio ao contexto econômico da pandemia. Esse resultado demonstra que a falta de confiança se encontra intensa e disseminada entre os empresários. Destaca-se, ainda, o caráter persistente desse quadro, tendo em vista que o índice se encontra abaixo dos 50 pontos por 17 meses consecutivos.
O índice leva em consideração a avaliação dos empresários das indústrias de pequeno porte acerca de suas empresas e da economia brasileira, tanto em termos de suas condições atuais quanto de suas expectativas para os próximos seis meses. Valores acima de 50 pontos indicam confiança do empresário. Quanto mais acima de 50 pontos, maior e mais disseminada é a confiança. Quanto mais abaixo de 50 pontos, maior e mais disseminada é a falta de confiança.

Empresários de pequeno porte fecham primeiro trimestre de 2026 com moderação em suas expectativas
O Índice de Perspectivas das indústrias de pequeno porte, que captura as expectativas dessas empresas com relação ao desempenho do seu próprio negócio nos próximos seis meses, registrou 47,4 pontos em abril de 2026. O indicador vem oscilando em torno de 47 pontos desde setembro de 2025. Dessa forma, os empresários das indústrias de pequeno porte mostram moderação em suas expectativas, em linha com a deterioração da confiança no período.
O índice é calculado a partir de uma ponderação entre a intenção de investimento nos próximos seis meses e as expectativas de demanda (nível de atividade, no caso da indústria da construção) e de número de empregados para o mesmo período. Quanto maior o indicador, mais positivas são as perspectivas do empresário da pequena empresa.

Especificações técnicas
O Panorama da Pequena Indústria (PPI) é uma publicação trimestral, gerada a partir dos resultados da Sondagem Industrial, Sondagem Indústria da Construção e Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), publicações da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Documento concluído em 8 de maio de 2026.




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