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Brasília Trends discute o fluxo entre o Cerrado e a Amazônia

  • sindivestedesign
  • há 11 minutos
  • 8 min de leitura





O movimento que atravessa o Brasília Trends Fashion Week vai muito além das passarelas. Com o tema “Fluxos Invisíveis”, a sétima edição do evento propõe um olhar para as conexões que existem entre territórios, pessoas, culturas, natureza e modos de produzir e consumir. De 24 a 27 de setembro, o Dúnia City Hall será transformado em um grande ponto de encontro da moda, reunindo desfiles, experiências, formação, negócios, arte, gastronomia e iniciativas que colocam a criação brasiliense em diálogo com diferentes territórios do Brasil e do mundo.


As novidades foram apresentadas na quarta-feira, 2 de setembro, durante uma coletiva de imprensa realizada no lounge da Associação dos Servidores do Banco Central (ASBAC). Jornalistas, influenciadores e formadores de opinião conheceram em primeira mão a programação da nova temporada e puderam perceber que, para o Brasília Trends, falar de moda é também falar de cultura, sustentabilidade, inclusão, autonomia e desenvolvimento.


Idealizado por Bernardeth Martins, à frente do Grupo Cirandinha, o Brasília Trends Fashion Week reafirma a vocação de Brasília como território de criação e economia criativa. A iniciativa conta com o apoio da Secretaria de Turismo do Distrito Federal – SeturDF, Fecomércio-DF, Sebrae-DF, SINDIPEL-DF, Sesc-DF, Senac-DF, OIM, Sindivarejista-DF, Codese-DF e uma ampla rede de parceiros.


Brasília recebeu o título de Cidade Criativa do Design pela UNESCO, e o evento se posiciona, desde 2018, justamente nessa interseção entre design, moda, cultura, turismo, inovação e sustentabilidade.


“É um projeto que reforça o orgulho de olhar para aquilo que nasce e se desenvolve no nosso próprio chão, promovendo o DF como um polo vibrante de novos negócios e expressão cultural”, afirma Bernardeth.






O fluxo que conecta Cerrado e Amazônia


O conceito desta edição nasce de um fenômeno que não pode ser visto, mas que determina a vida de territórios inteiros: os chamados rios voadores, grandes fluxos de vapor de água transportados pela atmosfera.


A partir dessa imagem, o Brasília Trends estabelece uma conexão simbólica entre Cerrado, Amazônia e Distrito Federal, propondo que a moda também seja capaz de revelar relações que muitas vezes permanecem invisíveis.


O Cerrado aparece como ponto de partida dessa narrativa. Berço de importantes nascentes brasileiras e território fundamental para o equilíbrio hídrico do país, o bioma ganha protagonismo na comunicação e na produção desta edição.


A proposta é fazer da moda uma linguagem para discutir natureza, identidade, território e sustentabilidade — não como conceitos isolados, mas como partes de um mesmo sistema.

Para Thiago Malva, publicitário do evento, essa identidade brasiliense não precisa estar necessariamente na reprodução dos símbolos mais conhecidos da capital.

“Brasília também está na maneira como a cidade é percebida e reinterpretada por seus criadores. Existe uma identidade contemporânea que nasce justamente desse olhar sobre o território”, destaca.





Brasília como cenário e destino


A campanha de divulgação do Brasília Trends foi realizada na Ermida Dom Bosco, às margens do Lago Paranoá, um cartão-postal escolhido que busca evidenciar a paisagem e a força do Cerrado, reforçando também uma das vocações estratégicas do projeto: promover Brasília como destino turístico.


A campanha foi apresentada aos convidados durante o encontro na ASBAC. A produção de moda ficou aos cuidados de Gabriel Guimarães, com beleza assinada por Guilherme Queiroz e fotografia de Cláudio Andrade.


“Nosso objetivo é produzir imagens atemporais, sofisticadas e editoriais, capazes de representar o novo momento do Brasília Trends Fashion Week. O movimento é o elemento central do shooting, com uma fluidez silenciosa e poética”, explica Gabriel.

A ideia também esteve presente no preview apresentado durante a coletiva, que levou à cena três modelos que estarão nas passarelas da edição: Caroline Rocha, Amanda Cristina e Raí Costa. Os looks de Ferretti Wear, Nomad e Bold Strap foram complementados por acessórios da OIM e calçados Osklen e Piccadilly, em styling de Carol Angelini.




Uma passarela construída por muitos talentos


A sétima edição terá 10 blocos de desfiles com 30 marcas participantes, reunindo nomes do Distrito Federal e convidados de diferentes partes do país.


Entre os destaques locais está o Grupo Brasília de Moda, que levará à programação grifes que acumulam décadas de experiência e história na produção de moda no Distrito Federal.

A programação também amplia o diálogo nacional com a presença de marcas convidados, entre elas a paulistana Bold Strap, conhecida por sua abordagem ousada; o trabalho de estamparia autoral de George Azevedo, do Rio Grande do Norte; e a produção artesanal da Crocheteria, também potiguar.


Integram ainda a programação nomes como Filipe Reis & Joatan Sant, Clássico Closet, Mercadinho do Natinho, Ludmila Leão & Vitor Hugo Soulivier, Ferretti Wear e Minha Nossa, além de outros participantes que serão anunciados. Nos acessórios, a programação reúne Morana, enquanto a área de calçados contará com Piccadilly, Ramarim e Vizzano.


Mais do que apresentar coleções, a proposta é criar uma vitrine para quem movimenta a cadeia produtiva da moda e demonstrar que a economia criativa do Distrito Federal possui capacidade de reunir diferentes gerações, linguagens e modelos de negócio.




Moda que também transforma


Se a passarela é o ponto mais visível de uma fashion week, o Brasília Trends quer mostrar aquilo que acontece nos bastidores. Por isso, a responsabilidade social ocupa um lugar central nesta edição.


O próprio encontro de apresentação foi pensado sob esse princípio. O coffee break servido aos convidados foi preparado por mulheres da Associação Nova Cidadania de Santa Maria, capacitadas pelo Projeto Padaria Artesanal, iniciativa idealizada por Dona Lu Alckmin e apoiada pelo Grupo Cirandinha.


A história desse projeto foi lembrada por Bernardeth Martins durante o encontro.

“Desde o dia em que esse sonho foi aceito, vejo Santa Maria florescer com mais de 200 mulheres já capacitadas, que hoje levam para suas casas a técnica do pão, com sabor de dignidade, de autonomia e com um delicioso aroma de um novo recomeço”, conta.

Os quitutes servidos na coletiva, portanto, carregava um significado que ultrapassava a gastronomia. Era também símbolo de uma rede de colaboração que encontra na capacitação um caminho para transformar vidas.



Três debates para olhar o que existe por trás da roupa


A programação de conteúdo mantém uma das características mais importantes do Brasília Trends: colocar temas delicados e urgentes no centro da discussão.

Nesta edição, estão confirmadas três mesas-redondas que fazem parte da agenda permanente do evento e que retornam para acompanhar avanços, provocar reflexão e ampliar o debate com autoridades, representantes de entidades sociais e profissionais ligados à cadeia da moda.


São elas:


“O Lado Avesso da Passarela: Aliciamento e o Tráfico de Pessoas na Moda”

“Além da Etiqueta: Infância Roubada e Trabalho Forçado na Cadeia Têxtil”

“Tecendo Liberdade: Autonomia Financeira e o Fim da Violência contra a Mulher”


A escolha dos temas reforça uma compreensão de que sustentabilidade não se resume à matéria-prima utilizada em uma roupa. Ela também envolve as condições de trabalho, os direitos humanos, a dignidade e as relações econômicas existentes por trás de cada produto.



Formação para quem quer fazer moda


A formação também terá espaço privilegiado. A Fashion Campus, sob o comando de Mabel De Bonis, realizará oficinas práticas durante o evento, aproximando o público de diferentes aspectos da criação e da leitura de moda.


A programação inclui:

  • Rendas e Manualidades

  • O Poder dos Acessórios

  • Leitura de Desfiles de Moda

  • Coloração Pessoal


O curso de Design de Moda do Senac-DF também apresentará trabalhos desenvolvidos por uma de suas turmas, aproximando estudantes, profissionais e público em torno da produção de novos talentos.


Brasília também estará nas paredes


A moda divide espaço com as artes plásticas no espaço montado pelo Ateliê Portas Abertas. A exposição será dedicada à força simbólica, arquitetônica e cultural de Brasília e reunirá trabalhos dos artistas Wós Rodrigues e Murilo Frade, em uma seleção que explora diferentes possibilidades da técnica mista.


Brasília aparece ali não apenas como cenário, mas como fonte de inspiração. Suas linhas, formas, monumentos, paisagens e múltiplas narrativas são traduzidos para uma linguagem visual que aproxima arte, moda, identidade e território.


Multiartista e uma das coordenadoras do Brasília Trends, Wós Rodrigues também integra a concepção estética do evento. No ano passado, a artista ganhou destaque pelas peças de barro desenvolvidas para a programação. Nesta edição, sua pesquisa sobre matéria, forma e memória continua com a criação de peças de porcelana especialmente desenvolvidas para homenagear os homenageados do Brasília Trends Fashion.



O Brasil que chega a Brasília


O conceito de “Fluxos Invisíveis” também se manifesta na presença de iniciativas que conectam Brasília a outros territórios.


Duas ações de caráter internacional integram a programação, entre elas o trabalho da Organização Internacional para as Migrações (OIM), que já acompanha o Brasília Trends em diferentes edições, e um grande desfile com a moda de oito países produzido ao corpo diplomático residente na capital.


A presença da OIM amplia o debate sobre migração, identidade cultural e valorização dos saberes tradicionais, aproximando a moda brasiliense de uma discussão que ultrapassa fronteiras.


Sustentabilidade que vira roupa

Entre as iniciativas sociais está também o Criar Mulher, projeto que transforma uniformes descartados por empresas em novas peças de vestuário.


A proposta sintetiza uma das mensagens mais fortes desta edição:


MODA + SUSTENTABILIDADE + TRANSFORMAÇÃO SOCIAL.


A roupa deixa de ser apenas produto para se tornar ferramenta de autonomia feminina, reaproveitamento de materiais e geração de novas possibilidades.


Na mesma direção está a Cia. do Lacre, iniciativa que há cerca de três décadas trabalha com lacres de latas de alumínio para criar peças e acessórios, ao mesmo tempo em que capacita mulheres e contribui para a geração de renda.


São projetos que ajudam a ampliar a própria definição de moda sustentável: não apenas aquilo que é produzido com menor impacto ambiental, mas aquilo que cria valor social a partir do que seria descartado.



Um encontro de gerações e territórios


Ao reunir marcas tradicionais do Distrito Federal, novos criadores, estudantes, artistas, iniciativas sociais e convidados de outros estados e países, o Brasília Trends constrói uma espécie de mapa contemporâneo da moda.


Um mapa em que Brasília não aparece isolada.


Ela está conectada ao Cerrado e à Amazônia, aos rios voadores, às migrações, às culturas tradicionais, às periferias, às universidades, aos ateliês, às fábricas, aos pequenos empreendedores e às grandes marcas.


Essa é, afinal, a essência de “Fluxos Invisíveis”: aquilo que não necessariamente está diante dos olhos, mas que movimenta tudo.


ASBAC: um espaço para celebrar Brasília


A coletiva de imprensa aconteceu no lounge da ASBAC, espaço cedido para o encontro pela presidente da instituição, Edina Costa Pinto.


Representando a atual gestão, o vice-presidente do clube, Hélio Marcos Cardoso de Freitas, destacou que receber o Brasília Trends está alinhado ao propósito de aproximar a instituição de projetos que valorizem a capital.


“Queremos parceiros de projetos que valorizem Brasília, seus artistas, seus criadores e sua capacidade de produzir beleza, cultura e inovação. Estamos trabalhando para que, em 2027, a ASBAC possa realizar seus próprios eventos da economia criativa para valorizar os talentos da nossa cidade”, afirma.


A escolha do espaço reforça uma característica do evento: ocupar Brasília e transformar diferentes lugares da cidade em pontos de encontro para a criatividade.





Uma semana feita por muitas mãos


Por trás dos desfiles, editoriais, exposições, debates e experiências existe uma grande equipe de profissionais.


A direção geral é de Bernardeth Martins, com Lianna Rondon na direção executiva. Thiago Malva responde pela consultoria e marketing; Cláudio Andrade, pela fotografia; Gabriel Guimarães, pela produção de moda; Carol Angelini, pela coordenação de camarim; e Guilherme Queiroz, pela coordenação de beleza.


A coordenação de expositores está sob responsabilidade de Pollyanna Olifer; as oficinas de moda ficam com Mabel De Bonis; a curadoria de arte é de Wós Rodrigues; Bruno Zakarewicz responde pela filmagem; José Aguiar, pelo receptivo; Valdir Borges, pela estrutura técnica; Débora Martins, pela assistência; Klayton Dias e Giovanna Rondon, pelo apoio; Fabíola Orlando, pela assessoria jurídica; e a Destak Comunicação, pela assessoria de imprensa.


É essa rede que transforma uma semana de moda em uma plataforma de criação, negócios, cultura e transformação.


O que vem pela frente


Ao apresentar sua sétima edição, o Brasília Trends Fashion Week reafirma uma ambição que vai além da consolidação de um calendário de moda.


O evento quer ajudar a construir uma narrativa sobre Brasília a partir de seus próprios talentos e de sua capacidade de dialogar com o Brasil e com o mundo.


Em “Fluxos Invisíveis”, o que importa não é apenas aquilo que chega à passarela, mas tudo o que existe antes dela: a matéria-prima, o território, o trabalho, o conhecimento, a criatividade, as histórias pessoais, os saberes artesanais, os estudantes, os artistas, as marcas e as pessoas que fazem a moda acontecer.


De 24 a 27 de setembro, o Dúnia City Hall será o ponto de encontro desses fluxos.

E, talvez, essa seja a imagem mais precisa para definir o Brasília Trends 2026: uma moda que se movimenta porque entende que nada está isolado.


A água que atravessa a atmosfera, a criatividade que atravessa territórios, o conhecimento que passa de uma pessoa para outra e as histórias que transformam materiais em roupas fazem parte do mesmo movimento.


Um fluxo invisível que, quando chega à passarela, finalmente pode ser visto.



























 
 
 

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