Paula Merlo sobre alto cargo na Vogue: “Loucura é a palavra”

            collaborated MARINA ADORNO  photo BRUNO CAVALCANTI


Desde novembro, a dedicada jornalista responde pelo maior título de moda do país
 
Cool girl meets girl boss. Assim pode-se definir Paula Merlo, jornalista carioca de 36 anos que assumiu a diretoria de redação da Vogue Brasil há sete meses. O jeito bem-humorado e irreverente é uma característica marcante de Pauli, apelido pelo qual é conhecida entre amigos, familiares e seguidores do Instagram.

 

Na rede social, todos acompanham a personalidade descontraída de Paula, a devoção por Nossa Senhora de Guadalupe e o lado super-mãe (quem resiste aos cliques que ela faz de Eleonora?). A fixação por estampa de onça, bem se sabe, é o signature look da fashionista despretensiosa, atitude típica de quem nasceu sob a benção do mar de Copacabana.

 

O que poucos imaginam, entretanto, é que a ascensão ao mais importante cargo no jornalismo de moda no país não se deu por acaso, sorte ou as más afamadas indicações.

 

Antes de sentar na cadeira principal da Vogue Brasil, Paula Merlo precisou desenhar o próprio caminho às custas de muito suor - que inclui até uma experiência não-remunerada na Teen Vogue, em Nova York, para incrementar o currículo. Curiosamente, após uma passagem bem-sucedida, Merlo garimpou uma carta de recomendação de James Worthington Demolet que a levou, justamente, à Vogue Brasil.

 

Formação


A vontade de trabalhar com jornalismo de moda, porém, antecede a temporada em Nova York. Paula sempre buscou cursos que lhe permitissem expandir seus horizontes. Em Milão, fez uma pós-graduação em moda no Istituto Europeo di Design. Em Londres, concluiu um mestrado em publishing na London College of Communication.

 

No Brasil, trabalhou na Revista Glamour durante sete anos, os dois últimos como diretora de redação. Paula dizia-se satisfeita com a carreira até receber uma ligação de Daniela Falcão convidando-a para assumir o mesmo cargo na Vogue Brasil. A expectativa era alta, mas a jornalista não decepcionou a CEO das Edições Globo Condé Nast.

 

Desde novembro de 2018, ela responde pela maior publicação de moda do país, e está encarando o desafio com muita segurança e com mesmo sorriso no rosto. Paula atribuiu a repercussão positiva de seu trabalho à equipe da Vogue. “Queremos ser uma autoridade em moda em todas as nossas plataformas”, garante.

 

Paula Merlo esteve na capital federal para comentar um desfile com o time da Vogue Brasil e conversou com o GPS|Lifetime. Confira a entrevista:

 

Como foi a mudança para assumir a diretoria de redação da Vogue?


Foi uma surpresa muito bacana. Eu não estava esperando assumir a Vogue, estava super bem na Glamour. Porém, eu tenho o aval da Daniela, o que é muito empoderador e gratificante, porque ela é uma inspiração. Eu acho que é um belo de um desafio a Vogue. Eu comecei minha carreira na Vogue há uns 12 ou 13 anos, como produtora-executiva. A Barbara [Migliori] era minha chefe.

 

Depois, virei correspondente em Londres, quando fui morar lá. Ao retornar, fui para Glamour e, dois anos depois que eu assumi a direção da Glamour, virei diretora da Vogue. Então, sinto que estou voltando para casa.

 

Quais são as principais diferenças de estar à frente da Vogue?


A responsabilidade é um pouco maior, porque é um título muito mais antigo, que fala muito de moda e está no Brasil há muito mais tempo. São 44 anos! Além disso, existe uma diferença de público, claro. O público da Vogue não é tão jovem quanto o da Glamour, então, requer um pouco mais de maturidade.

 

Nas últimas edições, a Vogue parece estar mais jovem. Isso é uma determinação sua?


Acho que o time está um pouco mais livre para ser quem é e sugerir novas pautas. Certamente não sou eu sozinha, é o time todo pensando mais livremente e podendo trazer para a revista um perfil mais pop.

 

Quais mudanças você já implementou na Vogue ou pretende implementar?


Temos bandeiras que levantamos na Vogue. Gostamos de falar de idade, que é uma coisa de cabeça. Falamos muito de sustentabilidade e vamos falar cada vez mais. Temos falado, também, de diversidade racial e apoiamos os novos talentos. É tudo uma surpresa.

Eu tenho capas engatilhadas. Não posso contar, mas são coisas que você nunca pensou em ver na Vogue. Acho que essa é a ideia: surpreender sempre.

 

Em que sentido?


Por exemplo, acabamos de lançar a nossa primeira capa digital com a Xuxa. Ela é a nova colunista da Vogue, você vai ler um texto dela, que ela escreveu de próprio punho, uma vez por mês no site da Vogue. Nunca tínhamos feito uma capa digital e é algo que devemos fazer com mais frequência.

 

O retorno tem sido positivo?


Está sendo bastante positivo. As pessoas gostam do novo, mas acho que tem um pouco de: “meu Deus, o que vai acontecer com a minha revista?”. Eu sou bastante jovem, porém, tenho uma equipe muito bacana. Eu sempre penso no coletivo. Não sou eu, é todo mundo.

 

Como está sendo o ritmo da Vogue?


Loucura, loucura… É uma loucura. Eu trabalhava bastante na Glamour, mas na Vogue há muitos eventos, é uma revista muito maior, e que ainda tem o digital. Colocamos o podcast no ar, então, há muito mais coisas a se fazer. Por exemplo, em um evento desses [o desfile da Vogue no Iguatemi, em Brasília] eu saio da redação, que é muito gratificante, porque é uma delícia poder mudar a sua rotina, mas é isso, tem que vir pra Brasília. Na Glamour não acontecia tanto isso. Loucura, essa é a palavra.

 

Como está sendo conciliar essa loucura com a vida de mãe?


Eu tenho ajuda. Se eu não tiver a Jojo, babá da minha filha, eu não posso trabalhar. Então, graças a Deus, conto com as melhores pessoas. Ela é uma mãe para a Eleonora também e, sem ela, eu não também não posso ser. Eu sou muito grata a quem me ajuda na minha casa para eu poder trabalhar.

 

A Vogue de maio veio com um novo layout editorial. De onde veio essa ideia de mudança?


A gente sempre muda um pouco o layout, mas queríamos intensificar a identidade da revista como um coffee table book, um pouco mais limpa, mais luxuosa. Então, limpamos bastante o layout, deixou as formas mais retas, com linhas mais retas. O Ítalo Massaru, nosso diretor de arte, trabalhou durante oito meses nesse novo layout que veio na edição de aniversário.

 

A ideia é deixar mais sofisticado, mas não um sofisticado frio, sabe? É chique, mas com a sensação de que foram pessoas que fizeram aquilo. Essa é a ideia. Você se aproxima da revista, mas de maneira mais sofisticada.

 

Você acha que hoje os projetos editoriais mudam mais rápido do que antigamente? Seria uma influência do online?


Quem aguenta olhar para mesma coisa sempre? Com certeza, a internet contribuiu para essa sensação. A rapidez com que tudo muda na era digital é gigantesca. Você vê o seu telefone apitando o dia inteiro avisando que tem um software para você dar o upgrade. A gente tem que mudar. Acho que não tão rápido. As pessoas têm que se acostumar com aquilo que estão vendo e, daqui a pouco, damos outro chacoalhão. Quando você já estiver bocejando, a gente vem e te chacoalha de novo.

 

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