SPFW: morte de modelo enterrado hoje expõe lado perverso da moda

          collaborated WEYNI ODUNAIYÁ


Tales foi velado e enterrado sob forte comoção nesta segunda-feira, 29, no interior de Minas Gerais. Morte trouxe reflexões sobre indústria da moda
 
A edição N47 do São Paulo Fashion Week se despediu do espaço Arca neste sábado, 27, com menos brilho do que o público que acompanhava os holofotes das passarelas esperava.

 

Após um mal súbito, o modelo Tales Cotta, que desfilava pela marca Ocska, faleceu aos 25 anos. Ele desmaiou ainda na passarela. Foi socorrido pelo Corpo de  Bombeiros presente no evento e levado ao Pronto Socorro Municipal da Lapa, Zona Oeste da cidade. Mas não resistiu e morreu. As causas ainda estão sendo apuradas.

 

Tales foi velado e enterrado sob forte comoção nesta segunda-feira, 29, no interior de Minas Gerais. O Boletim de Ocorrência aponta para "morte súbita sem causa determinante aparente."

 

O fato abalou tanto quem acompanhou o SPFW in loco quanto quem estava, à distância, de olho no que aconteceria na quinta maior semana de moda do mundo.

 

Assim que Tales foi socorrido e retirado da passarela, o desfile recomeçou. Os looks foram reapresentados e o show continuou. O posicionamento do SPFW, maior evento de moda do país, abriu a discussão para tal decisão. Enquanto o desfile seguia seu curso, uma perguntava circulava: "o show deveria mesmo ter continuado?"

 

Durante toda a semana de moda, o GPS|Lifetime esteve na capital paulista para cobrir o evento. Entre backstages, passarelas e sala de imprensa, a equipe acompanhou, mais uma vez, o "modo de fazer" da indústria da moda, que ainda insiste em reproduzir modelos de negócios e de apresentações que parecem fadados à falência.

 

Causa da morte de Tales está sendo investigada

 

Por mais que tenha aumentado, a diversidade dos corpos, rostos e padrões ainda é tímida. Parte intrínseca à sociedade há séculos, a moda segue reproduzindo antigos padrões e quadrados estereótipos.

 

Após o falecimento de Tales, veterano nas catwalks brasileiras (apesar da pouca idade), fica o questionamento das mudanças que o mercado precisa mover com tamanha urgência.

 

“Moda é sobre gente. Não é sobre roupa. Antes de ser sobre tecido, aviamento e modelagem, é sobre ser humano”, escreveu a influenciadora e blogueira Carla Lemos, à frente do Instagram e blog Modices.

 

O estilista Franco Pellegrino, que presenciou o fato, publicou em suas redes: "Se há uma vida humana em perigo (e foi o que me pareceu na hora) todos os esforços deveriam ser para salvá-la, e não para continuar o evento a qualquer custo. É hora de repensarmos nossos valores", escreveu. "Nenhum sonho criativo realizado vale mais do que a vida (ou segurança) humana. Nunca", afirmou.

 

A mesma mensagem foi reportada pela modelo Isabella Fiorentino, que complementou: "Uma tristeza enorme a morte do modelo Tales."

 

Sonhos


O glamour das passarelas, das grifes, das peças de luxo e dos flashes até pode fazer parte desse lado (por vezes cruel) da indústria têxtil. Contudo, não é apenas a isso que o mercado se resume.

 

Além de ser um dos setores que mais emprega pessoas no mundo (apenas no Brasil, são 1,5 milhão de empregados diretos e 8 milhões se adicionarmos os indiretos), a moda também movimenta sonhos. Em respeito ao Tales e a todos os profissionais que desfilaram em sequência, o show não deveria ter continuado.

 

Acima de todos os cortes, estampas e sapatos. Moda, como já dito, deveria ser sobre pessoas. Quando uma delas apresenta visivelmente não estar bem, é hora de parar e buscar mudanças - humanas, estruturais e mercadológicas. E que elas não sejam apenas uma utopia.

 

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