Conheça o 1º museu público dedicado exclusivamente à moda no Brasil

À primeira vista, parece uma igreja. Essa é a impressão de muitos que se deparam com a construção neogótica no centro de Belo Horizonte. Hoje, o espaço dá vida ao Museu da Moda. Primeiro e único museu público dedicado exclusivamente ao tema no país, foi inaugurado em dezembro de 2016. Em média, recebe 3 mil visitantes por mês, entre estudantes, turistas e profissionais da indústria fashion.

 

O MUMO expõe mostras de curto e médio prazo, aulas e apresentações artísticas; tudo sempre relacionado à moda ou ao design. “Trabalhamos a moda como memória, mas também como museu vivo. Seminários, palestras, workshops, uma série de atividades no ano inteiro”, explica a assessora de projetos Maria Carolina Ladeira.

Vem comigo conhecer mais!

 

Com três andares e uma torre, o prédio foi inaugurado em 1914 como Conselho Deliberativo de Belo Horizonte; àquela época, era o equivalente à Câmara Municipal. Conhecido pelo nome de Castelinho da Bahia, foi projetado pelo arquiteto Francisco Isidro Monteiro, membro da Comissão Construtora da Nova Capital.

 

“[O local] não foi criado para ser um espaço religioso, sempre foi público, então a lógica seria uma arquitetura neoclássica. Ele [o arquiteto] fez essa brincadeira com as pessoas, que até hoje confundem. Imagine antes, quando as construções eram mais baixas, como era imponente”, explica Maria Carolina.

 

Ao longo do tempo, teve vários usos: Museu de Mineralogia, Museu da FEB, abrigou aulas de Belas Artes da UFMG e até algumas sessões da Academia Mineira de Letras, além da primeira rádio de Belo Horizonte, a Rádio Mineira. Uma das funções iniciais da construção era a de primeira Biblioteca Pública Municipal, a qual mantém até hoje.

 

Também chamado Castelinho da Rua Bahia, o prédio é constantemente confundido com uma igreja devido à arquitetura neogótica

 

A bancária aposentada Cleuza Oliveira, 60, aproveitou a passagem pela capital mineira para conferir a programação cultural. O que a levou ao MUMO foi justamente a arquitetura, a qual reparou pela janela do ônibus. “Vi e falei: quero ir ali. Adoro prédios antigos, arquitetura antiga, coisas antigas”. Além disso, defende o tema: “A moda espelha seu tempo, sem contar que é um grande negócio, gera um monte de empregos”, argumenta.

 

Cleuza Oliveira adora museus e se encantou pela arquitetura do MUMO, que viu pela janela do ônibus

 

Museu da Moda


Até evoluir para um museu propriamente dito em 2016, o espaço se tornou Centro de Referência da Moda quatros anos antes e já recebia mostras desde essa época. A ideia era reconhecer a moda como bem cultural, além de tirar a ideia de que museu é um espaço distante e elitizado. No geral, atrai pessoas que se identificam ou têm alguma relação com a proposta, mas recebe um perfil bem variado de visitantes.

 

“Moradores de rua que visitam as exposições têm carteirinha da biblioteca, pegam livros para ler… Abarca todos os tipos de público. Queremos isso, mostrar que o museu é de todo mundo”, defende Maria Carolina.

 

                                      Detalhe abaixo da escada que leva à recepção do museu

 

Além da salva-guarda da memória e das peças, uma das missões é discutir a moda como política cultural em sua cadeia correta. Para isso, a instituição promove atividades com apoio das universidades locais, como a Aula Aberta. Uma vez por semana, às quartas-feiras, o evento é aberto à comunidade, com algum tema relacionado à temática do museu. Já no espaço do teatro, acontecem aulas de moda afro.

 

“Estamos trilhando um caminho novo, não temos referência aqui sobre isso. Há outros museus, mas são particulares ou têm um acervo de moda, mas não são especificamente de moda. O Instituto da Bahia, inclusive, tem um acervo bem interessante de vestes religiosas, papais, mas o perfil é diferente do nosso”, destaca a assessora.

 

                                      Exterior do Museu da Moda

 

Exibições


Sobre as exposições, Maria Carolina explica que o museu deixa um leque amplo de possibilidades temáticas, desde que sejam relacionadas à moda ou ao design. Os interessados se inscrevem e uma comissão avalia a proposta. Entre as que já passaram por lá, estão a do Grupo Mineiro, responsável por revolucionar a moda do estado na década de 1980, Moda e Quadrinhos, com Marcelo Toledo.

 

“Ronaldo Fraga expôs seus trabalhos aqui, assim como Moda e Literatura, do Renato Loureiro. Além dessas, tivemos Fala das Roupas e um acervo do século 19″, pontua.

 

     Maria Carolina Ladeira é a assessora de projetos do Museu da Moda de Belo Horizonte

 

Entre setembro e o início de novembro, criações de renomados estilistas e grifes locais foram expostas na mostra A História da Moda Mineira: 9 Décadas em 20 Looks. A partir de referências entre os anos 1920 e os dias atuais, nomes como Ronaldo Fraga, Victor Dzenke e Patricia Motta desenharam visuais inspirados nas tendências das vitrines da época.

A coluna esteve no museu no fim de outubro e conferiu os detalhes:

 

                                      Década de 1930 – Marília Pitta

 

                                      Década de 1960 – Helen Carvalho, Georgiana e Stefânia Mascarenhas (Bárbara Bela)

 

                                      Década de 1950 – Liliane Queiroz (Coven)

 

                                      Década de 1980 – Fátima Scofield

 

                                      Década de 2000 – Gina Guerra e Patrícia Schettino

 

                                       Década de 1940 – Tânia e Claudinha Fagundes (Condotto)

 

A ideia da exposição veio do aniversário de 90 anos do Jornal de Minas. “Fizeram um grande evento e pensaram em convidar 20 dos maiores estilistas do estado para se inspirarem na moda das décadas e produzirem looks, sem perderem o DNA”, explica a assessora. “Às vezes batemos o olho, é da década de 1920, mas conseguimos falar: esse é Ronaldo Fraga. Esse é Tereza Santos”, comenta Maria Carolina.

 

Uma delas é Renilda Fátima de Oliveira, 58, auditora fiscal aposentada. “Eu pinto, estou fazendo aula de costura, por isso vim ver a exposição. A moda para mim é a pessoa se assumir, usar aquilo que ela acha bom”, comenta. Entre as décadas, as preferidas dela são as de 1950 e 1960. “Lembro da minha mãe, uma pessoa sempre ‘elegantérrima’. Meu pai também, simples e refinado, de chapéu, terno, chique demais”, recorda.

 

     Renilda Fátima de Oliveira faz aula de costura e adora as décadas de 1950 e 1960 na moda

 

 

Confira outros looks e exposições que já passaram por lá:

 

Memórias


O prédio tem uma série de histórias interessantes. Para a visita dos reis belgas Albert I e Elizabeth em 1920, encomendaram um elevador, que não coube no compartimento da construção. Hoje, ele está exposto no Museu Abílio Barreto, também em Belo Horizonte.

 

Depois de restaurado, o prédio ganhou um elevador moderno, para dar acessibilidade a pessoas com deficiência e idosos.

A torre, que no início do século 20 dava para uma vista panorâmica da cidade, já não é mais aberta à visitação devido ao perigo. Nem por isso o espaço deixa de ser inspirador. Um dos admiradores de longa data foi o escritor mineiro Pedro Nava (1903-1984). Ele citou o prédio várias vezes nas obras. Curiosamente, sempre passava por lá para usar o banheiro – segundo ele, o mais bonito da cidade.

 

Serviço:
Museu da Moda de Belo Horizonte
Rua da Bahia, 1.149 – Centro
Belo Horizonte – MG
(31)3277-9248 / 3277-4384
mumo.fmc@pbh.gov.br

Horário de funcionamento:
Terça a sexta-feira: das 9h às 21h
Sábados e domingos: das 10h às 14h

 

 

 

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