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A transformação no varejo de moda

14/11/2018

Cadeia de suprimentos permite que lojista reabasteça seu estoque durante a coleção.

 

Regido por duas coleções anuais, o setor da moda tem um modelo de abastecimento bem específico. Talvez por isso a supply chain ainda não se desenvolveu fortemente neste mercado de quase R$ 200 bilhões no Brasil, apesar dos ganhos potenciais advindos de uma moderna cadeia de distribuição.

 

 

 

 

Um fator a frear a supply chain na moda é o “fast fashion”. No modelo tradicional, a venda das coleções primavera/verão e outono/inverno tem como base uma apresentação inicial em show room, onde clientes ou lojistas fazem seus pedidos. A produção então é feita na maior parte após o show room, em “make to order” (fabricação sob pedido). Os artigos são produzidos ao longo da coleção, de acordo com o planejamento da fábrica, e expedidos para os clientes, segundo os pedidos e em função do ritmo de produção, não do ritmo de venda. É um processo de “alocação”, específico deste setor.

 

No modelo fast fashion, a cadeia de abastecimento oferece ao consumidor uma única chance de comprar o produto. Ao ir até a loja, ele sempre terá novidades, mas não a certeza de encontrar o item que desejava.

 

Tendo como base o modelo tradicional, a supply chain trouxe para a indústria da moda um incremento significativo, oferecendo às lojas a possibilidade de se reabastecer durante a coleção, com os conceitos de implantação (fluxo empurrado no lançamento) e grade aberta (abastecimento da loja em função da venda). Mas o surgimento do fast fashion, com produtos cujo vida útil é muito curta, impediu a generalização da mudança na gestão da cadeia de abastecimento.

 

É errado pensar que tanto o tradicional quanto o fast fashion devem manter uma cadeia 100% em make to order. Toda empresa de moda, mesmo grifes de luxury fashion, tem itens básicos (camiseta preta, meias, cuecas, sutiã). Para esses, a criação de um estoque para reabastecimento permite: o aumento das vendas, com mais disponibilidade ao consumidor final; a redução dos estoques nas lojas, com a mutualização dos riscos entre as unidades da rede; e a diminuição de itens obsoletos e devoluções, no final da coleção.

A criação do estoque permite otimizar a cadeia de abastecimento e melhorar o serviço oferecido ao lojista. Algumas redes brasileiras, como a Marisa e a Riachuelo, começaram recentemente essa transformação.

 

Alguns alegam que, havendo uma redução do estoque ao final da coleção, o retailer irá se esforçar mais para vender o item que ficou com sobre-estoque. É argumento de quem tem visão imediatista dos negócios, e não de relacionamento de longo prazo, com a melhoria do serviço oferecido ao retailer e a otimização da cadeia de abastecimento.

 

Sugerimos a todas as empresas de moda a pensar na criação de uma política de abastecimento a partir de um estoque, para parte da gama de produtos. Mas é necessário criar esse estoque com cuidado, e refletir sobre os processos que serão impactados pela mudança. Mudanças importantes, mas que valem a pena!

 

Aurélien Jacomy Sócio e Fundador da Diagma Brasil

 

 

 

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