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Suas compras também podem ser políticas-Moda

15/08/2018

Consumir apenas de marcas alinhadas aos valores e práticas que acreditamos é alternativa para incentivar mudanças sociais e econômicas.

 

Desfile de inverno 2018 da Burberry (Agência Fotosite/Agência Fotosite)

 

Durante a Casa de Criadores, na semana passada, falamos muito sobre representatividade LGBTQ+. Teve a coleção EMO de Felipe Fanaia (com trilha ao vivo do Quebrada Queer), teve o momentinho pride madrilenho de Rafael Caetano, teve a performance de abertura de Rober Dognani com personagens icônicos da noite paulistana. E teve também os manifestos de Isaac Silva e Weider Silveiro pela luta transexual por direitos, respeito e cidadania. Foram essas duas últimas coleções, aliás, que mais emocionaram e fizeram pensar.

 

Sempre gostamos quando marcas que admiramos abraçam causas pelas quais lutamos ou das quais fazemos parte. Só para dar alguns exemplos recentes, rolou uma minicomoção quando a Prada lançou um vídeo-campanha com a drag queen Violet Chachki, vencedora de RuPaul’s Drag Race. Também foi bonito de ver a homenagem à diversidade e cultura LGBTQ+ do estilista Christopher Baileyno seu último desfile para a Burberry. A realidade anda tão amargurada que qualquer sinal de atenção, reconhecimento e respeito já é motivo para comemoração.

 

Mas não devia ser assim, não. E não dá para só aplaudir. Dá menos ainda para só aplaudir e não se informar. Pinkwashing é o termo utilizado para se referir a estratégias políticas e de marketing que se valem da cultura e das pessoas LGBTQ+ para promoverem uma imagem que pouco condiz com as práticas e ações da instituição em questão.

 

É a marca que apoia a parada do orgulho LGBTQ+, mas só trabalha com homens héteros. É a empresa de transporte privado com campanha sobre respeito à diversidade, mas que nada faz quando um cliente é vítima de ataque homofóbico. É a instituição financeira que patrocina exposição com temática queer, mas financia a ala mais conservadora da política. É o Estado que usa a imagem de sua população LGBTQ+ para disfarçar as violações de direitos humanos contra outras minorias.

 

A modelo Valentina Luz no desfile de Isaac Silva (Agência Fotosite/Agência Fotosite)

 

Quando Weider Silveiro começou a fazer sua coleção sobre as barreiras e a invisibilidade de pessoas LGBTQ+, ele pediu ajuda à diretora de arte e ativista pelos direitos trans Neon Cunha. “É questão de lugar de fala”, disse o estilista. A coleção de Isaac Silva era sobre a condição da mulher trans negra no Brasil. Seu casting foi composto inteiramente por modelos transsexuais e seus nomes virão bordados nas etiquetas das peças usadas por elas. Neon também tem dedo nessa história, ela atua nos bastidores da marca já há alguns anos. No caso da Burberry, a label fez doações para três instituições: a Albert Kennedy Trust, que apoia moradores de rua LGBT no Reino Unido; a The Trevor Project, organização americana que luta pela prevenção do suicídio na comunidade LGBTQ+; e a International, Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association.

or Luigi Torre

 

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