Estilista cria coleção em homenagem ao centro histórico de Planaltina

 

A estilista Thalita Lobo, que acaba de concluir o curso de Design de Moda do Iesb, acertou em cheio ao homenagear Planaltina em seu trabalho de conclusão de curso. Indo contra os clichês ligados ao mercado internacional e às tendências vigentes, a brasiliense optou por valorizar a história da cidade satélite mais antiga do Distrito Federal, que completa 159 anos no próximo dia 19 de agosto.

 

Lar da Pedra Fundamental, monumento que sinalizou o local onde seria construído a capital do país e que marca o centro do Brasil, e berço de grandes movimentos religiosos como a Festa do Divino, a Via Sacra e o Vale do Amanhecer, a cidade tem paisagens completamente diferentes das demais satélites do Distrito Federal. Construções como o Museu Histórico e a Igreja de São Sebastião, ambas tombadas pelo Governo do Distrito Federal, permanecem intactas, dando um ar um tanto quanto bucólico ao local.

 

E foram exatamente essas duas obras que Thalita usou como ponto de partida para compor a coleção “Planaltina – No coração do Planalto Central”. A cartela de cores é uma representação do que se vê nos monumentos e ao redor deles. O azul e branco, presente nas paredes dos casarões se unem ao amarelo dos ipês e ao cinza do asfalto.

 

As modelagens e elementos de estilo, por sua vez, foram extraídos das peculiaridades das construções do século XIX. “Apliquei os beirais em formato de pregas às mangas, desenhei as fendas e decotes seguindo as formas das casinhas, coloquei desenhos das janelas da Igrejinha em detalhes da cintura e das mangas e utilizei as cruzes e vigas expostas para compor minhas listras”, detalha a designer.

 

Thalita reside em Planaltina, mas nem sempre gostou da cidade. Quando mais jovem, ela desejava morar no Plano Piloto, mas a maturidade deu a ela um olhar mais gentil sobre a centenária senhora que a acolhe. “Desde quando me propus a observa-la com mais amor, comecei a pensar sobre como esta cidade, culturalmente tão rica, pode ser tão subestimada e negligenciada”, indaga.

Hoje uma das maiores fãs da cidade, a estilista caminha saudosa pelas ruas, imaginando o futuro do berço do DF. “Sonho em ver a praça como o centro de Pirenópolis, cheia de vida, com os casarões restaurados e abrigando bares, cafés e ateliês. Fortalecendo o comércio, a cultura, gerando emprego e lazer de qualidade para seus moradores”, diz ela.

 

 

Segundo a recém-formada, a escolha do tema foi um acerto reconhecido, inclusive, pelo corpo docente de sua faculdade. “Fiquei muito emocionada com a avaliação dos meus professores. Eles teceram mil elogios quanto ao design, cores, coerência e acabamento. O Yuri disse que minha coleção está pronta para ir às lojas, enquanto a Ana Carolina de Santana disse ter se arrepiado ao ver as peças, que ficou emocionada com o resultado final”, revela.

 

Confira o resto do bate-papo que tivemos com Thalita:

 

As peças da coleção estão à venda?

 

As peças ainda não estão à venda. Estou estudando a melhor forma de fazer isto acontecer. Vi alguns projetos que achei muito interessante, de aluguel de roupas, acho que faz a moda girar e diminui o desperdício. Esta é uma boa proposta!

 

Você acaba de se formar. E agora, quais os próximos passos? Pretende dar continuidade à sua marca?

 

Esta coleção me deixou muito feliz e muito tentada a dar continuidade a marca, que não era o meu intuito inicial. Estou estudando as possibilidades. As pessoas estão apaixonadas pelas peças e todo criador quer ver suas criações tomando vida. Recentemente, pude experimentar a moda por meio da criação de um figurino que assinei para o espetáculo “Vidas Secas”, dirigido pelo ator Junior Ribeiro, também em Planaltina, que, inclusive, será reapresentado na Bienal do Livro no próximo dia 22. O figurino foi muito elogiado e foi uma delícia de fazer. Depois vê-lo em cena deu uma emoção muito gostosa.

 

Que tipo de roupa você quer fazer daqui para frente?

 

A roupa que eu gosto de fazer é a roupa que transforma e imprime a identidade da mulher, que manda o recado. Quero fazer uma roupa que represente, que seja instrumento empoderador. O meu desejo é ensinar o amor próprio por meio da moda. Quero que as pessoas entendam que a moda está aí para nos servir e não o contrário, que é possível vestir bem todos os corpos, que o segredo está em se conhecer e se amar mais.

 

Você se sente preparada para enfrentar o mercado brasiliense? Quais impressões você tem sobre o a moda local?

 

Estou cheia de vontade. Os olhos estão brilhando. A faculdade abre a mente e enche de ideias, te possibilita ver a moda por um novo prisma. O desejo agora é viver a teoria na prática, é, literalmente, criar experiências e amadurecer como profissional. O mercado de moda em Brasília é relativamente jovem, mas vem se fortalecendo. Temos um mercado autoral muito legal acontecendo, acredito no potencial que nós temos. Espero ver cada vez mais portas se abrindo. A moda abrange tantos segmentos, é um mundo tão cheio de possibilidades, acho que tem lugar para todo mundo que tem vontade e acredita.

 

 

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