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A arma secreta da Hering estava dentro de casa

A Hering anunciou uma mudança profunda em seu modelo organizacional, a mais nova tentativa da empresa de retomar o crescimento e ativar seu potencial no ecommerce.

 

A partir de agora, um só executivo vai cuidar de toda a cadeia que vai do desenvolvimento de produto à estratégia de vendas, unificando atribuições que antes pertenciam aos diretores de marca e varejo, cujos desligamentos foram anunciados ontem.

Para liderar a nova Diretoria de Negócios Hering, a companhia está fazendo uma escolha igualmente ousada: Thiago Hering, o filho mais velho do CEO Fábio Hering, de 36 anos. (A diretoria de multimarcas continua com Ronaldo Loos.)

 

Nos últimos 10 anos, Thiago e seus dois irmãos se tornaram os maiores franqueados da Hering, com 21 lojas em São Paulo, além de terem montado um negócio em sociedade com a GUESS, a marca que trouxeram para o Brasil há quatro anos e hoje tem 17 lojas. Ao assumir o cargo, Thiago deixará o negócio na mão dos irmãos, André e Tomás.

 

Thiago não é o único sangue novo na diretoria executiva. Para a nova Diretoria de Negócios Infantil e Dzarm, a Hering nomeou Romael Soso, 37 anos, que está na companhia há dois anos. Romael já era da área: responsável por produto e marketing das marcas infantis, reportava-se a Edson Amaro, que está deixando a companhia depois de duas décadas. 

 

A Hering também anunciou a criação de uma diretoria de transformação digital — um executivo que ficará responsável pelo ecommerce, a estratégia omnichannel, o CRM, e o marketplace. O novo diretor já foi contratado, vem de fora de empresa, e seu nome será anunciado nos próximos dias. Na visão da companhia, o foco maior no digital conseguirá trazer inputs significativos do mercado visando um maior alinhamento com o consumidor.

 

A decisão de trazer um herdeiro para uma posição executiva foi amplamente apoiada pelo conselho e elogiada por outros franqueados — talvez porque o varejo não se aprenda nos livros, e sim no dia a dia, e os filhos de varejistas tendem a se beneficiar do aprendizado por osmose.

Outras famílias do varejo brasileiro tiveram sucesso investindo em herdeiros: Anderson Birman, o fundador da Arezzo, foi sucedido por seu filho Alexandre, e Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, por seu filho Frederico. 

“O Thiago tem capacidade empreendedora, conhecimento de varejo e conhece o Sistema Hering como ninguém, então ele já sabe quais botões pode apertar já de saída,” disse uma fonte externa mas com bom trânsito na família.

Formado em Direito pela USP, Thiago largou uma carreira incipiente no Machado Meyer porque se encantou pelo varejo. Trabalhou como trainee na Hering antes de sair para operar uma franquia da marca. (O sobrenome não lhe garantiu uma loja boa: o começo foi com uma franquia que não estava dando certo, no Shopping Jardim Sul. No primeiro ano, as vendas cresceram 70%.)

 

Thiago “sempre reclamou muito na companhia como franqueado, criticava bastante a gestão, principalmente a parte de produto,” diz outra fonte. “Vai ter a chance de corrigir tudo que vem criticando há anos.”

 

 

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