SETOR TÊXTIL E DE CONFECÇÃO AINDA NÃO PERCEBBE QUEDA DOS JUROS NOS BANCOS

Taxa Selic é mantida em 6,50%, após reunião do Copom encerrada no último dia 16

 

Na percepção da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), os juros mais baixos decorrentes da sistemática queda da Selic, desde o final de 2016, ainda não chegaram às operações de concessão de crédito pelos bancos aos setores produtivos. Essa é a opinião de Fernando Valente Pimentel, presidente da entidade, setor constituído por 33 mil empresas, 1,5 milhão de trabalhadores diretos e faturamento anual em torno de US$ 45 bilhões, sobre a reunião do Copom de quarta-feira (16).

 

“Os spreads até aumentaram, mas o problema não está apenas na taxa básica de juros, que, no nosso entender, segue acima de um patamar mais palatável para as empresas. Lembro que o crédito continua escasso. Começou a avançar mais para pessoas físicas, mas nas jurídicas há um acanhamento”, salienta Pimentel.

 

O presidente da Abit observa que os créditos mais disponíveis e com juros mais baixos para pessoas físicas têm impacto positivo nos bens duráveis. Estes foram os que mais sofreram com a restrição creditícia no período recessivo, entre 2015 e 2017, quando houve redução dos empréstimos na economia. “Na área têxtil e de confecção, a queda da Selic ainda não resultou em impacto suficiente para gerar mais consumo ou facilitar a vida das empresas, principalmente as pequenas e médias”.

 

Pimentel afirma que a Selic continua elevada, principalmente se comparada aos juros praticados pela maioria dos países. “Por outro lado, se levarmos em conta a nossa história econômica, veremos que descemos a um patamar jamais alcançado, sem que se utilizasse qualquer artifício heterodoxo. A queda decorre de um processo deflacionário, devido em parte à diminuição de preços dos alimentos, à própria recessão e a uma política monetária bem conduzida”.

 

A Selic, para Pimentel, poderia ter começado a cair antes de outubro de 2016. “Mas isso é passado. Agora, precisamos ver como encarar a turbulência surgida no mercado mundial, com acirramento do protecionismo e a subida dos juros nos Estados Unidos. Temos fundamentos para manter nossas taxas baixas, mas o Brasil tem vulnerabilidades fiscais, que poderão levar a um novo aumento até o final deste ano”.

 

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