Indústria 4.0 muda tudo, mas vai demorar a virar realidade

18/04/2018

Entre as maiores economias mundiais, Brasil é apenas o 41º país na implantação do conceito.

 

A empresária Grisiele Bastos, da Coteminas, aposta na robotização como um diferencial competitivo no mercado

Se na política as revoluções são ruidosas e muitas vezes traumáticas, na economia elas chegam de forma planejada e com foco nas planilhas de custo, mas nem por isso são menos definitivas. É dessa forma que inteligência artificial, impressão 3D, realidade virtual e aumentada, blockchain, internet das coisas e biotecnologia estão, aos poucos, mudando a forma de produzir bens de consumo no Brasil e no mundo. E consolidando a chamada “quarta revolução industrial”. “Nossa estimativa é que, atualmente, a indústria 4.0 responde por um índice entre 2,5% e 5% do setor industrial do país, e, em até 15 anos, esse percentual vai dobrar, chegando de 5% a 10%”, avalia Bruno Jorge Soares, coordenador de indústria 4.0 da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), órgão ligado ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).

O Brasil, que figura entre as 10 maiores economias do mundo, é apenas o 41º de um ranking de cem países em estrutura industrial para adoção da indústria 4.0, diz um estudo do Fórum Econômico Mundial. As primeiras posições são de Japão, Coreia do Sul e Alemanha, respectivamente. “O Brasil não está atrasado, porque todos os países estão em processo de digitalização. O ponto é a velocidade. Não podemos perder a oportunidade e ficar para trás”, diz o gerente executivo de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), João Emílio Gonçalves.

No estudo, salientam-se os recursos naturais e o mercado consumidor como pontos fortes do país, e o quadro institucional e a capacitação, como desafios. A reforma trabalhista é citada como capaz de gerar um ambiente mais flexível no mercado de trabalho. 

Desafio. Para Gonçalves, as tecnologias emergentes vão atuar no aumento da produtividade dos setores industriais, um desafio significativo. Em 10 anos, entre 2006 e 2016, a produtividade do país caiu 7%, segundo dados da CNI. Além disso, o país passou por um processo de desindustrialização. Em 1980, a indústria era responsável por 30% do PIB nacional, e agora esse índice é de menos de 10%. Vale ressaltar que a corrida para a indústria 4.0 exige grandes investimentos, pois a tecnologia ainda é muito cara.

“A pressão competitiva é um fenômeno global, e a indústria 4.0 é a saída para (o país) dar um salto de competitividade”, diz Gonçalves. Segundo a ABDI, se a indústria brasileira estivesse adaptada a sua versão 4.0, R$ 73 bilhões seriam economizados por ano em redução de custo, ganhos de eficiência e economia de energia. 

O esforço para iniciar o processo já existe. A empresária Grisiele Bastos, da Coteminas, que participou do curso “Indústria avançada: Confecção 4”, do Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (Cetiqt) do Senai, aposta na robotização como um diferencial da indústria 4.0 e a vê como tendência. “É importante acompanhar o mercado internacional e a concorrência. É uma demanda que vem também do cliente”, afirma.

“(A indústria 4.0) pode mudar o conceito da fábrica, a interação com o mercado e a cadeia de fornecimento. Impacta toda a cultura da empresa”, explica o gerente de educação do Senai Cetiqt, Robson Wanka. Para o empresário Renato Medeiros, da confecção Cataguases, a tecnologia dará agilidade para o mercado. “A demanda por agilidade aumentou por parte dos clientes. A indústria 4.0 atende os prazos do mercado”, afirma. Ele vê a adoção das tecnologias no médio prazo, entre cinco e sete anos. 

ABDI. Para Bruno Soares, além da produtividade, as tecnologias emergentes vão gerar novos produtos e modelos de negócios. “Tem setores que a produtividade já está boa”, ressalta.

Sem volta. Para o diretor geral do Senai, Rafael Lucchesi, a mudança tecnológica é impositiva. “Diante da concorrência, aquele que não se adaptar não vai se manter”, afirma. 

Startups facilitam processo de adoção

As startups agilizam o processo de implantação das tecnologias emergentes nas indústrias brasileiras, na avaliação do coordenador de indústria 4.0 da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Bruno Jorge Soares. 

“As startups têm acesso às tecnologias, e essa conexão pode ser positiva para a indústria, porque tem acesso facilitado à inovação, e para a startup porque ela amadurece”, explica. A ABDI tem um programa que conectou dez indústrias e 30 startups. 

“As startups levam uma metodologia de trabalho mais dinâmica, ágil e flexível para indústrias que são geralmente mais engessadas e burocráticas”, afirma a CEO da plataforma de avaliação de empresas Love Mondays, Luciana Caletti. 

Soares lembra que as empresas de tecnologia também fazem a interface entre indústria e academia. 

Financiamento

Linhas abertas para compra de equipamentos para a indústria 4.0
BNDES. Valor de R$ 5 bilhões e spread reduzido de 1,7% ao ano para 0,9% ao ano.

Foco: modernização de plantas, fabricação de máquinas ou sistemas, automação.

FINEP. Valor de R$ 3 bilhões e TJLP menos 1,5% ao ano até TJLP mais 6,25%. Foco: incorporação de tecnologias incluindo softwares e sistemas ciberfísicos. 

Banco da Amazônia. Valor de R$ 1,1 bilhão e juros de 4,5% ao ano a 6,5% ao ano.

Foco: região Norte

LUDMILA PIZARRO

 

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