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Empréstimo da Shein à Coteminas amplia plano de expansão da chinesa no Brasil

Varejista chinesa projeta que 85% das suas vendas sejam de itens fabricados no Brasil.

Como se não bastasse a notícia de que a Shein pretende expandir sua atuação no Brasil e fazer com que 85% das suas vendas sejam de itens fabricados em terras brasileiras até o final de 2026, mais um fato veio ao conhecimento do mercado apontando que os planos da varejista para o país está mais para casamento: o empréstimo de US$ 20 milhões à Coteminas – mais especificamente para a Santanense, uma empresa do grupo.


A verdade é que a chinesa está tirando a empresa de tecelagem mineira de uma situação delicada, uma vez que suas atividades ficaram paradas por seis meses neste ano, com funcionários sem pagamentos de benefícios.

No balanço financeiro da empresa do grupo Coteminas é possível ver tanto a queda nas receitas como o crédito concedido pela Shein em forma de empréstimos conversíveis em ações e com único vencimento para três anos. Em troca, a chinesa terá juros anuais, além de uma uma parceria para que “2.000 de seus clientes confeccionistas passem a ser fornecedores da Shein”.

O acordo não é de agora, ele foi feito em julho deste ano e o valor será usado para recompor capital de giro, segundo o relatório financeiro divulgado apenas neste mês.

Quais são as intenções da chinesa com o Brasil?

Com esse fato, ficam explícitas as intenções da chinesa com o Brasil neste casamento. A marca já estabeleceu parcerias com mais de 330 fábricas, em 12 estados brasileiros. Destas unidades, 213 já estão produzindo de acordo com o modelo de negócios da Shein, baseado na produção sob demanda para atender de maneira mais assertiva, sem desperdícios e com preços acessíveis.


A companhia produz somente um pequeno lote de 100 a 200 unidades por produto e mede a resposta do mercado em tempo real, produzindo em maior escala somente os produtos que têm demanda garantida.

Até uma nova tabela de medidas foi feita especialmente para o corpo dos consumidores brasileiros, segundo disse em nota a diretora de produção local, Fabiana Magalhães. Ao que parece, o problema de trocas das peças compradas online dada a diferença do “P” asiático para um “P” latino parece ter ficado no passado.

A varejista, que opera em mais de 150 países e recentemente comprou uma participação na Forever 21, planeja ainda expandir ainda mais em solo brasileiro, assumindo o compromisso de estabelecer parceria com 2 mil fábricas – o que, segundo a Shein, deve gerar 100 mil empregos (diretos e indiretos), nos próximos três anos.


Atualmente, a varejista de moda conta (apenas no Brasil) com uma equipe superior a 240 pessoas nas áreas de logística, finanças, jurídico, recursos humanos, marketing e relações públicas, além de um escritório fixo na Faria Lima (região nobre de São Paulo) e mais cinco galpões logísticos no estado paulista que juntos, somam mais de 220 mil metros quadrados.

Não à toa, a companhia informou que vai investir “inicialmente” R$ 750 milhões para fornecer tecnologia e treinamento aos fabricantes brasileiros. Em 2022, o aplicativo da Shein foi o segundo mais baixado no Brasil, segundo a Data ai.

A questão é se essa demanda tende a continuar, uma vez que os preços das roupas vendidas em sua plataforma vem subindo e se igualando aos praticados pelas varejistas brasileiras. Um relatório do BTG Pactual aponta que uma cesta com oito produtos da Shein custava em média R$ 648 em abril deste ano, mas hoje custa R$ 692. E sim, os mesmos produtos. Isso representa uma alta de 6,7% durante os últimos seis meses, conciliando o período em que a fiscalização da cobrança dos impostos de produtos vindos do exterior ficou mais rigorosa no Brasil.


Tanto que o governo brasileiro lançou o programa Remessa Conforme, que retirou a alíquota de importação para as empresas que aderirem. Haverá apenas a cobrança de 17% do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS), de âmbito estadual. A empresa que aderir ao programa terá acesso a uma declaração antecipada que permitirá o ingresso mais rápido da mercadoria no país.

A Shein tanto aderiu ao Remessa Conforme como anunciou que 85% dos seus produtos serão feitos localmente. Logo, a etiqueta “made in China” dará lugar para o “made in Brazil”.



Fonte: Investnews

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